segunda-feira, 20 de junho de 2011

Mais anotações sobre Laban

Anotações de Cintia Brugiolo sobre o curso de extensão
LABAN E A ARTE DO MOVIMENTO

Ministrado pela pós-doutoranda Denise Telles-Hofstra em 2004, numa parceria entre a Faculdade Angel Vianna e o Ekilíbrio Centro de Linguagem Corporal, em Juiz de Fora/MG

Bibliografia básica:

Sugestão de Bibliografia:
FERNANDES, Ciane.  O Corpo em Movimento: o Sistema Laban/Bartenieff na formação e pesquisa em Artes Cênicas.  São Paulo: Editora Annablume, 2002.



TEORIA DOS ESFORÇOS

Cinco pilares do movimento:
1.       Fatores de movimento
2.       Esforço mental que precede a ação
3.       Movimentos de sombra (não-protagonistas)
4.       Estudo de ações
5.       Drives ou ímpetos para o movimento

1)     Fatores de Movimento:
·         Tempo
·         Peso
·         Espaço                          (Todos se interagem, se encaixam)
·         Fluxo (Fluência)

a)      TEMPO:
RÁPIDO, urgente, acelerado
X   LENTO, infinito, indulgente (ter todo o tempo do mundo)

            b)      PESO:
FORTE, INTENSO: atitude muscular, resistência
X   LEVE, SUAVE: não é fragilizado, é ativo mas sem intensidade

       c)       ESPAÇO:
DIRETO, OBJETIVO: focar, interessar (objeto do desejo) 
X   INDIRETO, FLEXÍVEL: abrir possibilidades, não estabelecer diretamente a relação. A atitude ou é dissimulada (não tem direção clara) , ou é encantada (tudo é interessante)

        d)      FLUXO:
CONTIDO, interrompido: contenção (O fluxo pode ser interrompido mesmo de se iniciar a ação: interrompe-se a atenção, a intenção, a decisão, enfim: o pensamento.)
X   LIVRE: realização livre e plena do objetivo; finalizar e exaurir a interrupção da ação, deixá-la acontecer em toda a sua potência. (Não se trata apenas de levar a cabo a ação, mas também de repeti-la à exaustão, esgotar suas possibilidades.)
2)     Esforço Mental que Precede a Ação:
·         Atenção
·         Intenção
·         Decisão
·         Precisão       (estes dois vêm muito unidos, praticamente juntos)

Trata-se de informações nos momentos de silêncio. Tem muito a ver com o INSTINTO, pois nem sempre é racional.

a)      ATENÇÃO: percepção, pensamento: o que vai ser a ação?
b)      INTENÇÃO: como a atenção se transforma em intenção de movimento. Há mobilização sensorial, inclusive muscular.

* Em Laban, expressão vocal e corporal andam juntas.


3)     Movimentos de Sombra (não-protagonistas)
São aqueles movimentos involuntários, que geralmente não percebemos, que sujam a ação, fazendo-nos despender energia fora da ação principal que executamos.
Ex.) Ao fazer uma cena, ficamos levantando os dedos do pé; ao apresentar uma palestra, ficamos clicando uma caneta, etc.

4)     Estudo de Ações:
·         Elementares: enfatizam um fator
·         Incompletas: enfatizam dois fatores
·         Básicas: enfatizam três fatores
·         Completas: enfatizam quatro fatores

As ações básicas, combinando Tempo, Peso e Espaço, originaram nove VERBOS DE AÇÃO, que levam aos estudo do drive ou ímpeto para a ação.
AÇÃO        TEMPO     PESO     ESPAÇO
Pressionar    lento           forte            direto
Torcer         lento           forte             indireto
Deslizar       lento           suave            direto
Flutuar         lento           suave            indireto
Socar          rápido         forte             direto
Chicotear    rápido         forte             indireto
Pontuar       rápido         suave           direto
Espanar       rápido        suave            indireto
5)     Drives ou Ímpetos para o Movimento:
As pessoas operam em um determinado ímpeto de movimento – idem com as personagens. Se, pelas circunstâncias, são levadas a mudar de ímpeeto, elas ainda guardam vestígios de seu ímpeto natural. Se o ator perde completamente o ímpeto natural da personagem ao mudar pelas circunstâncias, fica claro que ele “perdeu o personagem”, ele se delata. (Livro – página 129).

·         Ímpeto da Ação: peso, espaço e tempo – domínio da ação – fluxo livre: o corpo inteiro entra na ação
·         Ímpeto da Visão: espaço, fluência e tempo – são visuais, você não precisa experimentar para ver (já que o peso é ligado à sensibilidade
·         Ímpeto do Encanto: peso, fluência, espaço – solto em relação ao tempo, é eternizado
·         Ímpeto da Paixão: peso, fluência, tempo – visceralidade – ou é comunicação consigo, ou é sair desembestado – perda da referência no concreto

* A atitude (interna) pode ser forte com ações leves – ex.) voz; movimento livre num ponto (mãos) e contido noutro (braços).


TEORIA DAS HARMONIAS ESPACIAIS

Três planos:
1º) Vertical (porta)
2º) Horizontal (mesa)
3º) Sagital (roda)
1º)   Vertical (porta)
·         Plano da porta, ou seja, os movimentos acontecem como se o corpo estivesse encostado numa porta, numa parede.
·         Não há frontalidade, só lateralidade: é chapado (como os desenhos humanos egípcios).
      ·         Aberto nas laterais:

2º)   Horizontal (mesa)
·         Plano da mesa, ou seja, os movimentos ocorrem paralelos ao solo ou ao horizonte – não necessariamente com o corpo deitado.
·         Ideia de deitar no espaço (horizonte, solo, oceano).
·         Não há altura:


3º)   Sagital (roda)
·         Plano da roda, no sentido de seu movimento. Estreiteza.
·         Não há lateralidade, só frontalidade: grande avanço numa área estreita.


RUDOLF LABAN: BASES TEÓRICAS

·         Húngaro naturalizado alemão (« 1879; U 1958).
·         Foi expulso da Alemanha em 1936, indo se estabelecer na Inglaterra.
·         Primeira experiência de observação dinâmica: contato com vários povos (seu pai era militar, sempre em mudança), tendo chance de observar o comportamento em celebrações e orações: ritos dinâmicos, corporais e coletivos; e também em cantos de trabalho.
·         Segunda experiência: 2ª Guerra Mundial – corpos mortos, jogados, tratados como coisas; corpo pré-morte: musculatura, respiração, tensão, enfim: alterações corporais.
·         Gama variada de formações e informações.
·         Laban é uma referência central que condensa todo um pensamento; não se trata de endeusar o homem.


REFERÊNCIAS EM SUA FORMAÇÃO:

1)      PLATÃO: livro Timeu (“Timaeu”): bases das harmonias espaciais – formas dos sólidos platônicos.

2)      PITÁGORAS: forma metálica do cristal e suas relações com o corpo humano.

3)      NIETZSCHE: filósofo poético. Obra Assim Falou Zaratustra. Multiplicidade, força da individualidade, liberdade. Tira Deus do pilar, de força superior de fora do homem, para força intrínseca ao homem.

4)      FRANÇOIS DELSARTE: movimento. Pesquisador na área de padrões de movimento no cotidiano, em diferentes pessoas e culturas.

5)      DALCROZE: educação rítmica através do movimento – tira a contagem de passos.

6)      JUNG: O Homem e Seus Símbolos – quatro tipos de funcionamento do comportamento humano.
SENSAÇÃO                PENSAMENTO            SENTIMENTO                INTUIÇÃO
senso de percepção:      informa o que é.              informa se é                       informa de onde é
fala que a coisa                                                    agradável ou                      e para onde vai.
existe.                                                                  não.

7)      KANDINSKY: pintor abstrato contemporâneo de Laban. Lançou as bases do abstracionismo. Arte com sentido de expressão do ser – ele não precisa se expressar só figurativamente. A cor, a forma falam por si. Livro Do Espiritual na arte – teoria das cores, relacionada à teoria dos esforços. Arte = religare = espiritual. Livro Ponto e Linha sobre o Plano – relacionado às harmonias espaciais.  

8)      VERA MALETIC: Body Space Expression. Espaço – atenção, peso – sensibilidade.

9)      GASTON BACHELARD: dinâmica enquanto poética. Imaginário poético.


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